-Principezinho
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Avião de Papel - 2
Os relâmpagos revoltavam-se contra a Humanidade, destruindo a Terra.
Explodiam no coração dos habitantes, afastavam terras, zangavam mares, possuíam ventos e entristeciam almas. Ainda diziam que o pior estava para vir, deixei-a para trás, tinha-me de refugiar numa cobertura. As lágrimas misturavam-se com a chuva torrencial, cada vez mais.
A minha mãe morreu.
Li e depois do pedido do professor Leonel, voltei a ler, após ele me ter interrogado o que eu estava a escrever naquele caderno castanho, velho e lamacento, em vez de estar atenta à aula:
-Júlia, posso ver o que estás a escrever?
-Desculpe professor. - Disse rapidamente, constrangida, na tentativa de colocar o caderno na pasta.
-Vem cá ler o que escrevias.
-Eu estou arrependida, já disse, desculpe, não vai voltar a acontecer. - Gaguejava.
-Eu não te pedi, eu ordenei.
Levantei-me e dirigi-me para o centro da sala de aula e com a voz fragilizada obedeci ao professor.
Depois do silêncio e da vergonha ouviram-se risos e cochichos, viram-se olhares aterrorizados e muitos outros inexpressivos.
Voltei-me a sentar.
Depois do toque, preparada para sair da sala, Leonel tocou-me ao de leve.
-Tem um minuto, menina Júlia? - Acenei que sim com a cabeça e sentei-me novamente em frente ao homem alto, magro, com os cabelos penteados e que puxava de cinco em cinco minutos os óculos, que lhe escorregavam pelo nariz, para cima. - Foi a menina que escreveu aquele texto? - Acenei com a cabeça novamente, afirmando a interrogação de Leonel. - Está tudo bem em sua casa? A sua mãe está bem? - Voltei a acenar, daquela vez, eu queria falar. Queria mesmo mas as palavras simplesmente não me ocorriam. - Pode sair. Até à próxima aula.
-Adeus professor. - Gaguejei eu.
Ainda não tinha conseguido processar o facto de ter lido um texto tão pessoal e intimo para a turma inteira. Vagueava pelo recreio a pensar sobre o assunto e, sobre o grande relvado, por de trás da escola, sentei-e e retirei o meu caderno, castanho e lamacento. Rasguei a folha onde havia escrito aquele excerto assustador e fiz dele, um avião de papel.
Depois do toque, preparada para sair da sala, Leonel tocou-me ao de leve.
-Tem um minuto, menina Júlia? - Acenei que sim com a cabeça e sentei-me novamente em frente ao homem alto, magro, com os cabelos penteados e que puxava de cinco em cinco minutos os óculos, que lhe escorregavam pelo nariz, para cima. - Foi a menina que escreveu aquele texto? - Acenei com a cabeça novamente, afirmando a interrogação de Leonel. - Está tudo bem em sua casa? A sua mãe está bem? - Voltei a acenar, daquela vez, eu queria falar. Queria mesmo mas as palavras simplesmente não me ocorriam. - Pode sair. Até à próxima aula.
-Adeus professor. - Gaguejei eu.
Ainda não tinha conseguido processar o facto de ter lido um texto tão pessoal e intimo para a turma inteira. Vagueava pelo recreio a pensar sobre o assunto e, sobre o grande relvado, por de trás da escola, sentei-e e retirei o meu caderno, castanho e lamacento. Rasguei a folha onde havia escrito aquele excerto assustador e fiz dele, um avião de papel.
-Júlia,
Abril, 1943
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
O vento levou esta Semana
Amanhã é feriado. Graças a Deus.
Não o vou aproveitar como deve ser, vou aproveitá-lo para estudar. Vou ter teste, quarta, quinta e sexta, já para não mencionar que o teste de matemática que realizei hoje correu pessimamente.
Esta semana (refiro-me do dia 30 a 6) passou a voar. Mas não um daqueles voos suaves e pacificadores, aqueles voos mesmo tenebrosos e exaustivos. Aconteceu tanta coisa...
Chateei-me com a minha melhor amiga, desta vez, mesmo a sério... Houveram mais de mil motivos para a discussão, ambas tínhamos razão e perdemos-la da forma como agimos. Apesar de ela ser muito infantil e incapaz de resolver as coisas como a adolescente que é, é do seu feitio e eu; bem, eu sou a teimosia em pessoa.
Todos os dias a Isabel espera-me no portão da escola e naquele dia, não esperou. Senti falta.
Durante os intervalos tive de andar com as outras raparigas da minha turma, das quais, na maior parte, não me identifico. Vi a Isabel a chorar, nessa manhã. Tentei ser superior, contrariada pela vontade de ir ter com ela e lhe dar um daqueles abraços que só nós sabemos mas quando cheguei a casa, por volta da uma, não resisti em vir para o meu quarto e me virar contra uma almofada.
Na última aula desse dia, pedi-lhe que se sentasse à minha beira para conversarmos.
Conversámos como se não tivéssemos passado a manhã separadas por zangas insignificantes até que achei melhor falar da discussão para que, de uma próxima vez, o pudéssemos evitar.
É verdade, aquela manhã, passou tão devagar.
Soube também que, o Hugo e a Leonor não estão muito bem. Fiquei feliz. Chamem-me maléfica, estúpida e egocêntrica, a verdade é que todos ficaríamos com aquele sentimento mortinho por se manifestar, de alegria. Estou só a ser sincera.
Eu já fui amiga de muitas raparigas cujo tinham um rapaz de quem eu gostava a gostar delas, sempre as ajudei e me preocupei mais com elas do que, por vezes, comigo. É um bocadinho cansativo viver sempre na mesma rotina.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Isabel, frágil Isabel,
Eu e a Isabel estávamos sentadas no banco, castanho e já velho, da escola.
Senti um toque no meu ombro e voltei-me
-Olá Eva! - Disse o Hugo, de bom humor, como se não tivesse ignorado a minha ultima mensagem.
-Olá! - Sou lá pessoa de ignorar alguém, mas teve de ser. Levantei-me, peguei na mochila e mudei de direção. Sei que se continuássemos o diálogo ele iria perceber que havia algo de estranho comigo e sei que se tivesse partido antes do 'olá' ele iria pensar o mesmo. O melhor foi o que eu fiz, estou certa disso.
Até a Isabel, que nunca ninguém lhe conheceu um namorado, está em melhor estado que eu... Bem, talvez não, de todo. Ela anda a falar com um rapaz comprometido lá da escola, eu repito várias vezes para ela se afastar porque ele não quer nada sério com ela, só ela é que não entende. Além disso eles não são nada o género um do outro. O Pedro é aquele tipo de rapaz que apenas quer curtir e partir corações, uns atrás dos outros. A Isabel é o tipo de rapariga, estudiosa, carinhosa e tímida, não me parece que ela vá curtir ou muito menos namorar com o Pedro. Eu não estou a subestimar o amor, estou a ser racional.
Além disso o Pedro tem namorada, estão sempre agarrados no corredor enquanto a Isabel sente exatamente o que eu sinto, rejeição.
O pior é que a Isabel, talvez por ser inexperiente com rapazes, não consegue ignorar uma mensagem do Pedro, não consegue ser difícil nem lidar com um simples 'olá' dele. Ela é uma presa frágil nas mãos de um leão.
Tenho pena dela, sinceramente. Mas eu não lhe posso dizer isto, ela ficaria magoada, não tanto como fica quando vê o Pedro e a Luísa no corredor aos beijos. Mas ficaria. Tem de haver outra solução, para o bem dela.
Senti um toque no meu ombro e voltei-me
-Olá Eva! - Disse o Hugo, de bom humor, como se não tivesse ignorado a minha ultima mensagem.
-Olá! - Sou lá pessoa de ignorar alguém, mas teve de ser. Levantei-me, peguei na mochila e mudei de direção. Sei que se continuássemos o diálogo ele iria perceber que havia algo de estranho comigo e sei que se tivesse partido antes do 'olá' ele iria pensar o mesmo. O melhor foi o que eu fiz, estou certa disso.
Até a Isabel, que nunca ninguém lhe conheceu um namorado, está em melhor estado que eu... Bem, talvez não, de todo. Ela anda a falar com um rapaz comprometido lá da escola, eu repito várias vezes para ela se afastar porque ele não quer nada sério com ela, só ela é que não entende. Além disso eles não são nada o género um do outro. O Pedro é aquele tipo de rapaz que apenas quer curtir e partir corações, uns atrás dos outros. A Isabel é o tipo de rapariga, estudiosa, carinhosa e tímida, não me parece que ela vá curtir ou muito menos namorar com o Pedro. Eu não estou a subestimar o amor, estou a ser racional.
Além disso o Pedro tem namorada, estão sempre agarrados no corredor enquanto a Isabel sente exatamente o que eu sinto, rejeição.
O pior é que a Isabel, talvez por ser inexperiente com rapazes, não consegue ignorar uma mensagem do Pedro, não consegue ser difícil nem lidar com um simples 'olá' dele. Ela é uma presa frágil nas mãos de um leão.
Tenho pena dela, sinceramente. Mas eu não lhe posso dizer isto, ela ficaria magoada, não tanto como fica quando vê o Pedro e a Luísa no corredor aos beijos. Mas ficaria. Tem de haver outra solução, para o bem dela.
Futilidades Natalícias:
Vou deixar que a minha futilidade natalícia se apodere deste post.
Existe apenas uma diferença entre a Criança no espírito natalício e a Adolescente.
A criança nunca está verdadeiramente à espera do presente encontrado, debaixo do embrulho. Feliz ela quando percebe, pelo tamanho da caixa, que é um Nenuco, uma Barbie ou um carrinho telecomandado.
Uma adolescente não costuma ter uma prenda embrulhada no Natal porque se antecipa sempre: 'Mãe dá-me o iphone 6, fica a prenda de Natal!' ou para quem quiser uma coisa mais cara 'Mãe, dá-me o iphone 6 Plus, fica a prenda de anos e de Natal!'.
A verdade é que eu não tenho a wish de Natal muito cheia, ainda bem.
Não tenho o desejo de ter um iphone novo, um computador novo ou algum presente extravagante.
Existe apenas uma diferença entre a Criança no espírito natalício e a Adolescente.
A criança nunca está verdadeiramente à espera do presente encontrado, debaixo do embrulho. Feliz ela quando percebe, pelo tamanho da caixa, que é um Nenuco, uma Barbie ou um carrinho telecomandado.
Uma adolescente não costuma ter uma prenda embrulhada no Natal porque se antecipa sempre: 'Mãe dá-me o iphone 6, fica a prenda de Natal!' ou para quem quiser uma coisa mais cara 'Mãe, dá-me o iphone 6 Plus, fica a prenda de anos e de Natal!'.
A verdade é que eu não tenho a wish de Natal muito cheia, ainda bem.
Não tenho o desejo de ter um iphone novo, um computador novo ou algum presente extravagante.
Este Natal eu contento-me com roupa. Eu não gosto de receber roupa, eu gosto de escolher roupa e comprá-la por mim mesma e depois mesmo não tendo embrulho nenhum surpresa no Natal eu fico feliz; apesar da minha mãe embrulhar sempre qualquer coisita para mim.
Os meus focos fúteis de Natal:
Marca de todos os artigos: Forever 21
Claro que estes aspetos de que vos falei mudam de pessoa para pessoa, de criança para criança e de adolescente para adolescente. O que quis concluir foi que, estou numa fase da minha vida, onde me contento muito bem com roupa, por isso, Pai Natal, fica atento...
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Eu quero
Tenho aquela vontade incondicional de me aproximar, de sentir as tuas mãos nos meus cabelos e de não querer resistir, de me querer rir do teu sorriso.
Eu queria. O destino não quis.
Vou ter de viver com isso, vou ter de vê-la com aquela vontade incondicional de se aproximar, de sentir as tuas mãos nos seus cabelos e de não querer resistir, de vê-la querer rir do teu sorriso.
Ela quis. O destino também.
Vou ter de viver com isso, vou ter de ver-te com aquela vontade incondicional de a quereres próxima, de colocar as tuas mãos nos seus cabelos e de a veres a não resistir, de a veres a rir do teu sorriso.
Tu quiseste. O destino também.
Estou a mais nesta história. Eu, e as outras raparigas mas eu?
Eu, quis e vou continuar a querer, sempre.
Eu queria. O destino não quis.
Vou ter de viver com isso, vou ter de vê-la com aquela vontade incondicional de se aproximar, de sentir as tuas mãos nos seus cabelos e de não querer resistir, de vê-la querer rir do teu sorriso.
Ela quis. O destino também.
Vou ter de viver com isso, vou ter de ver-te com aquela vontade incondicional de a quereres próxima, de colocar as tuas mãos nos seus cabelos e de a veres a não resistir, de a veres a rir do teu sorriso.
Tu quiseste. O destino também.
Estou a mais nesta história. Eu, e as outras raparigas mas eu?
Eu, quis e vou continuar a querer, sempre.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Avancei um Degrau
Olhei, olhei, voltei a olhar. Hoje não é dia 13 mas então qual foi a explicação mais credível para o dia me ter corrido mesmo mal?
Eu sou muito supersticiosa, sou aquela rapariga que bate na madeira três vezes quando pensa em algo mesmo mau, que desenha uma cruz com os pés sempre que anda no sentido inverso e que acredita que nos dias '13' algo de horrível acontece no mundo.
E claro que todos os dias acontecem catástrofes pelo mundo, crianças mortas, jovens suicidas, mulheres vítimas de violência doméstica, homicídios, assaltos, bullying, abuso sexual.
O lado do mundo mais obscuro; mas nos dias '13' acontece algo de mal mas não suficiente mau para se juntar ao lado obscuro.
É tal como um julgamento, o lado bom e do perdão, o lado horrível e da culpa e depois existe aquele intermédio que são as más ações que ocorrem apenas para dar uma pequena lição de vida ao inexperiente.
Hoje eu deixei o meu pequeno (grande) orgulho se apoderar dos meus pontos mais fracos, a minha mente e o meu coração. Claro que com um mau ato vêm sempre más consequências; hoje eu descobri que o Hugo tem namorada.
Hugo esse que é, provavelmente, o ícone daqueles rapazes morenos, bem apresentados e com um sorriso simpático.
Estavam os dois nas escadas a impedir a passagem para o piso de cima; quando tocou para fora da aula, eu desci as escadas e o meu orgulho disse: 'não pises esse degrau, está amaldiçoado.'
Tal fui eu a egocêntrica de seguir os conselhos do galã que habita algures na minha cabeça que quando dei por mim já estava aterrada de rabo no chão a processar que as pessoas que passavam, olhavam, riam e continuavam a andar.
Embaraçada, fui para o pavilhão de ginástica. Talvez conseguisse, na corrida de aquecimento livrar-me de parte do meu orgulho porque, e completamente impossível, livrar-me dele todo, por muito que eu quisesse. Novamente a campainha tocou e eu e Isabel saímos do pavilhão. Não demorei muito tempo a perceber que não tinha o meu telemóvel, voltei para dentro, vermelha, aflita, já a misturar as coisas que estavam a acontecer, já ouvia os risos das pessoas quando cai, via o sorriso dele quando me viu a chorar, a mão dele a percorrer a face. Não a minha, a dela.
No balneário perguntei se alguém tinha visto um iphone preto, e uma rapariga avistou imediatente, um, no chão, debaixo do banco. Deve ter caído.
Que lição é que aprendi?
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